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Guia para os pais

Dúvidas dos pais

Respostas claras para as perguntas que mais ouço no consultório, com foco em agir com segurança e prevenir acidentes. Estas orientações são gerais e não substituem a avaliação do seu filho.

Emergência? Ligue para o SAMU 192.

Sinais de atenção e primeiros socorros

Meu filho está com febre. Quando devo me preocupar?

A Sociedade Brasileira de Pediatria considera febre a temperatura axilar a partir de 37,5 °C. A febre é uma resposta do corpo a uma infecção, e o estado geral da criança diz mais do que o número no termômetro. Uma criança que brinca e se hidrata preocupa menos do que uma que está prostrada, mesmo com temperatura mais baixa.

  • Ofereça líquidos com frequência e deixe a criança com roupas leves.
  • Use antitérmico somente na dose indicada pelo pediatra, calculada pelo peso. O objetivo é aliviar o desconforto.
  • Nunca dê ácido acetilsalicílico (AAS, aspirina) sem orientação médica.
  • Não use álcool na pele nem banho frio.

Procure atendimento imediato se houver:

  • febre em bebê com menos de 3 meses;
  • dificuldade para respirar, sonolência excessiva ou choro que não acalma;
  • convulsão, rigidez no pescoço ou manchas roxas na pele;
  • sinais de desidratação, como boca seca e pouco xixi.

O que fazer se meu bebê engasgar?

Se a criança está tossindo com força, chorando ou falando, o ar está passando. Não interfira: incentive a tosse e observe. Se ela não consegue tossir, chorar nem respirar, peça para alguém ligar para o 192 e comece a manobra.

Bebês com menos de 1 ano:

  1. Apoie o bebê de bruços no seu antebraço, com a cabeça mais baixa que o tronco.
  2. Dê 5 golpes firmes nas costas, entre as escápulas.
  3. Vire o bebê de barriga para cima e faça 5 compressões no centro do peito, logo abaixo da linha dos mamilos.
  4. Repita até o objeto sair ou o bebê perder a consciência.

Crianças com mais de 1 ano: use golpes nas costas e compressões abdominais (manobra de Heimlich). Compressões abdominais não devem ser feitas em bebês.

Não coloque o dedo na boca para procurar o objeto às cegas. Se a criança perder a consciência, comece a reanimação e mantenha contato com o 192. Recomendo que toda família faça um curso presencial de primeiros socorros.

Meu filho caiu e bateu a cabeça. E agora?

A maioria das quedas causa apenas um galo. Acalme a criança, faça compressa fria no local e observe o comportamento nas horas seguintes.

Procure o pronto-socorro se houver:

  • perda de consciência, convulsão ou sonolência fora do normal;
  • vômitos repetidos, dor de cabeça forte ou confusão;
  • sangue ou líquido saindo pelo nariz ou ouvido;
  • queda de grande altura;
  • qualquer batida importante em bebê com menos de 1 ano.

Vômito e diarreia: como evitar a desidratação?

O maior risco é a perda de líquidos. Ofereça soro de reidratação oral em pequenas quantidades e com frequência, e mantenha a amamentação. Não use remédios para cortar a diarreia ou o vômito sem orientação médica.

Procure atendimento se houver:

  • boca seca, choro sem lágrimas, pouco xixi ou moleira afundada;
  • sonolência ou recusa de todos os líquidos;
  • sangue nas fezes ou vômito esverdeado;
  • vômito ou diarreia em bebê pequeno, especialmente com menos de 6 meses.

Tosse e nariz entupido: como aliviar e quando procurar ajuda?

Resfriados são comuns na infância e costumam melhorar sozinhos. Lavar o nariz com soro fisiológico e oferecer líquidos ajuda bastante. Evite xaropes e descongestionantes sem orientação. Mel nunca deve ser dado a crianças com menos de 1 ano.

Procure atendimento imediato se notar:

  • respiração muito rápida, chiado ou costelas marcando ao respirar;
  • lábios arroxeados ou dificuldade para falar ou mamar;
  • febre persistente ou piora depois de uma melhora inicial.

Cuidados com o bebê

Qual é a forma mais segura de o bebê dormir?

  • Coloque o bebê sempre de barriga para cima, em todos os sonos.
  • Use colchão firme, com lençol bem ajustado.
  • Mantenha o berço livre de travesseiros, protetores, cobertores soltos e bichos de pelúcia.
  • Prefira o berço no quarto dos pais, sem dividir a mesma cama.
  • Evite excesso de roupa e mantenha o ambiente livre de fumaça de cigarro.

Meu recém-nascido chora muito. É normal?

O choro é a forma de o bebê se comunicar: fome, fralda, sono, calor, frio ou necessidade de colo. Nas primeiras semanas, períodos de choro são esperados. Colo, contato pele a pele e um ambiente calmo costumam ajudar.

Se você estiver no limite, coloque o bebê em local seguro e peça ajuda. Nunca sacuda um bebê.

Fale com o pediatra sem demora se houver:

  • choro diferente do habitual, muito fraco ou que não acalma;
  • recusa das mamadas ou bebê molinho;
  • pele ou olhos amarelados, que aumentam ou persistem;
  • febre ou temperatura baixa.

Até quando amamentar? Preciso dar água ou chá?

A recomendação é o aleitamento materno exclusivo até os 6 meses, sem água, chá ou outros alimentos, e a continuidade até os 2 anos ou mais, junto com a alimentação da família. Dor, fissuras ou dúvida sobre a quantidade de leite merecem avaliação: quase sempre há como ajudar.

Como começar as primeiras comidas com segurança?

  • Comece aos 6 meses, com comida de verdade e amassada, sem liquidificador.
  • Ofereça água nos intervalos a partir do início da alimentação.
  • Não ofereça açúcar nem ultraprocessados antes dos 2 anos.
  • Não ofereça mel antes de 1 ano.
  • Mantenha a criança sentada e sempre acompanhada durante as refeições.
  • Evite alimentos com risco de engasgo, como uva inteira, pipoca, castanhas inteiras e salsicha em rodelas.

Saúde e segurança no dia a dia

Quando a criança precisa de antibiótico?

Antibióticos tratam infecções causadas por bactérias. Resfriados e a maioria das infecções virais não melhoram com eles. Use somente com prescrição, respeite a dose e o tempo indicados e nunca reaproveite sobras de um tratamento anterior.

Meu filho atrasou uma vacina. E agora?

Leve a caderneta à consulta ou ao posto de saúde. Na maioria dos casos, o esquema continua de onde parou, sem recomeçar. Febre baixa e dor no local podem acontecer depois da aplicação e costumam passar em poucos dias.

Quanto tempo de tela é aceitável?

A Sociedade Brasileira de Pediatria orienta:

  • até 2 anos: evitar telas;
  • de 2 a 5 anos: até 1 hora por dia, com supervisão;
  • de 6 a 10 anos: até 2 horas por dia, com supervisão.

Evite telas durante as refeições e na hora antes de dormir.

Como deixar a casa mais segura?

  • Guarde remédios e produtos de limpeza trancados e fora do alcance, sempre na embalagem original.
  • Instale telas ou grades em janelas e sacadas, e portões em escadas.
  • Nunca deixe a criança sozinha no banho, perto de piscinas, baldes ou em cima do trocador.
  • Use panelas nas bocas de trás do fogão, com os cabos voltados para dentro.
  • Mantenha objetos pequenos, pilhas e ímãs longe das crianças.
  • No carro, use a cadeirinha adequada ao peso e à altura. Crianças até 10 anos que não atingiram 1,45 m viajam no banco traseiro, com dispositivo de retenção.

Em caso de acidente:

  • Intoxicação: não provoque vômito. Ligue para o Disque-Intoxicação, 0800 722 6001, ou procure atendimento levando a embalagem.
  • Queimadura: coloque em água corrente fria e procure atendimento. Não use pasta de dente, manteiga ou gelo.

Referências usadas neste guia

  • Sociedade Brasileira de Pediatria: documentos sobre febre aguda (2025), engasgo, sono seguro e saúde digital.
  • Ministério da Saúde: Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos.
  • Organização Mundial da Saúde: recomendações sobre aleitamento materno.
  • American Heart Association: diretrizes de primeiros socorros e reanimação.
  • Anvisa: Disque-Intoxicação. Código de Trânsito Brasileiro, artigo 64.

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Na consulta, temos tempo para conversar sobre o seu filho e a sua família.

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